quinta-feira, 24 de abril de 2008

Paciência


Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
(Lenine)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Canto errado


Algo para rir? O modo como prefiro ser deixado para trás, ante a te deixar. Se eu pudesse menos regalias e mais amor, o mundo seria nosso. Mas não é. Deveria trair minha confiança, não se importar comigo! Não prefiro que seja tudo que eu mais quis na minha vida, tudo que eu mais precisei. Como ficarei sem tocar no seu rosto, sem sentir sua pele, sem seu beijo? Vamos lá, responde a todas intrépidas dúvidas que tenho. Viver? Ah, simples falar todo dia, mas tenta só uma respiração entendida por errada! Precisaria sobreviver a cada pensamento que tenta por diversas desgovernar sua alma, é estranho. Relutar para um impossível esquecimento.
(Ivana Almeida)

Uma parte que não tinha


Não tem sol, nem solução
não tem tempero no meu dia
Não faz mal se a tradição nos traduz outra alegria
Não ter pressa dá a impressão de que a tarde virou tédio
não tem bala, belo, bola ou balão
não tem bula meu remédio.
e não tem cura...
acho que me perdi numa excursão
que fiz na tua certeza e na contradição
e não tem cura...
acho que me perdi numa excursão
que fiz na tua palavra, no teu palavrão
Não tem sol, nem solução
não tem tempero no meu dia
Não faz mal se a situação não traduz nossa alegria
Não ter festa dá a impressão de que o mundo ficou sério
não tem bala, belo, bola ou balão
não tem bula meu remédio.
e não tem cura... acho que me perdi numa excursão
que fiz pra lua
no meu único verso o sol é solidão
Não tem mal, nem maldição
não tem sereno no meu dia
Não tem sombra e assombração
Não tem disputa por folia
Tem bola de capotão, capitão capture essa menina
tem saudade e saudação
tem uma parte que não tinha...
parte que não tinha...
(Teatro Mágico)

sábado, 19 de abril de 2008

Bilateral

E como te dizer que eu não posso? Você vem sendo meu sol e respirar, a emoção mais forte, mas quem entenderia que ainda não estamos acima de toda razão? Como partirei sem olhar para o alto e ver seu sorriso me reservando uma vida? Grande e finita paixão, me diz que iremos dar certo, que sairemos firmes disso tudo para que eu possa acreditar por mais um segundo. Jogaria fora toda relatividade se ousasse meu querer, gritaria esse sentimento, correria para que nossos abraços se completassem como sempre o foi. E agora me faz entender, como ser tão forte diante de um sentimento tão criterioso? Então direi à saudade que precisarei de uma fortaleza imensurável, porque agora vejo que meu ritual emocional passará a ser oco e sem sentido. Minha dor, em possibilidades, será mais conflituosa que solução.
(Ivana Almeida)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Delírio de tal mortal


Se eu pudesse ser uma mínima expressão do que tanto falo, chegaria a entender porque morro por tão poucas tentativas. Continuaria matando e morrendo por algo que me foi rasurado por descontínuas linhas de pensamentos – que incrível, espero que seja menos patética! Trazer o ar para os pulmões e tentar tragar sua poluição de impossibilidades que se construíram para nos separar. Como poderei tudo sem a vida que o seu sorriso me empresta? Responde-me criando soluções para meu amor viver por realidade! Esperarei sua lágrima envolta de estrelas transparentes nesse céu que me acusa. Dará uma pausa com ou sem continuação. Quem sabe não seja mais uma das cretinas paginas que escrevo para conseguir entender a dificuldade de estar viva.

(Ivana Almeida)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

(Vinícius de Moraes)

domingo, 13 de abril de 2008

Diz que pode ficar.


"E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma cápsula protetora. Eu quero chegar antes pra sinalizar o estar de cada coisa , filtrar seus graus. Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone. (...) Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê? Minha alegria, meu cansaço? Meu amor cadê você? Eu acordei e nao tem ninguém ao lado." (Adriana Calcanhoto)